top of page
Buscar

Por que é tão difícil tomar a decisão de se separar?

  • Paloma Rolhano Cabral
  • 21 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura


Talvez um dos processos mais difíceis de se conduzir dentro do Direito de Família é o divórcio. Não pela complexidade da lei, mas porque lidamos com corações partidos. Com sonhos que morrem. Com a decepção. Com o medo de uma nova vida. Com o receio de ter que olhar para questões práticas que tocam na dor. 


Não é segredo que o Direito acaba tocando em outras áreas do conhecimento - principalmente quando falamos em Direito de Família, onde os afetos são presentes na condução dos processos. Ao longo dos anos, comecei a entender que um processo nunca é só sobre os bens. É sobre as dores. Sobre esse lugar que se torna deserto dentro dos corações dos clientes ao ver seu plano de vida ir por “água abaixo”. 


Existem muitos aspectos inconscientes que atuam por trás da decisão de se separar - ou de lutar pelo casamento, através da terapia de casal, da mediação ou outra solução alternativa. Mas, fato é, que quando uma pessoa - geralmente as mulheres - estão há muito tempo tentando reunir forças para tomar a decisão, há uma grande solidão. 


Primeiro, porque em uma tentativa desesperada de ajuda, acaba que o assunto divórcio se torna pauta com as amigas ou com a família. E acaba que em um movimento de tentar ajudar, as pessoas “cobram” uma atitude de finalização do relacionamento. Contudo, grande parte das vezes, a pessoa nessa situação de “reunir forças internas”, se sente presa, sem saída. Como se estivesse correndo em círculos - famoso “correndo atrás do rabo’, como dizemos no Sul. 


Segundo, porque muitas vezes ao buscar um advogado, os aspectos práticos é que são estabelecidos: assinatura de procuração, contrato, levantamento de bens e dívidas. Que evidentemente é necessário e é a atuação da advocacia. Entretanto, muitas vezes, a instauração de uma negociação ou de uma mediação, pode ajudar o casal a começar a olhar para a questão. Somente isso. Um passo antes da parte mais prática, da decisão. Um lugar para conversa. Para começar a entender o que está realmente acontecendo - dentro e fora do casamento. E isso pode começar por um dos lados, inicialmente. Há uma técnica e um procedimento por trás, que respeita esse tempo e essa solidão. 


São passos que constroem uma caminhada - nenhuma solução é do dia para noite. Mas costumo dizer que é um gole de água viva em meio ao deserto. Um caminho do meio, para estabelecer uma ponte para as decisões - seja ficar, seja ir.


 
 
 

Comentários


bottom of page